sexta-feira, 11 de maio de 2007

Privacidade... onde começa e acaba...

Felizmente, ao longo da vida, tenho vindo a afastar, progressivamente, todos os fantasmas resultantes de uma educação tradicional, católica e característica da sociedade ocidental em que vivemos. Não tem sido fácil mas muito bom; costuma-se dizer que tudo o que é fácil não tem muita gracinha e é uma grande verdade.

De todo este exercício, a parte mais complicada tem sido tudo o que se relaciona com a condição humana, de tão complexa que é, e principalmente quando se pensa nas relações entre as pessoas;podem elas ser de amigos, familiares, amantes, amizades coloridas, namoros, casamentos, swingers, whatever...

Aprendi, com o tempo, a respeitar, tolerar e a aceitar esta condição humana no seu todo: sua forma de pensar, seus gostos, seus hobbies, sua individualidade, suas fraquezas, seus pecados, suas mentiras, sua privacidade, mesmo e principalmente, em relação a quem possa sentir maior proximidade.

Na maior parte das vezes, caímos na tentação de tentarmos sugar a privacidade da pessoa com quem partilhamos o nosso dia-a-dia, por nos acharmos com tal direito; talvez tenha a ver com o sentimento de posse, de pensarmos que o que é "nosso" não deve encerrar, para nós, qualquer segredo. Mentira ou omissão será considerada como coisa intolerável - pensamos nós - apenas para os outros, esquecendo-nos que tantas vezes somos nós próprio a fazê-lo (como escrevi num post "O lado escuro da mente").

Claro que não defendo, definitivamente, que numa relação entre duas pessoas, qualquer que ela seja, a mentira ou omissão - independentemente do seu grau - façam parte do quotidiano. Uma relação, para ter sucesso, tem que ser baseada, entre outras coisas, na partilha e cumplicidade, independentemente das consequências que daí possam surgir.

Mas tem uma questão que, para mim, representa, ainda hoje, uma dúvida metódica e que não sei se alguma vez a conseguirei entender ou ultrapassar:

- Onde começa e acaba a privacidade de cada um de nós ?

Todos nós temos a nossa individualidade , privacidade, como seres únicos que somos. Costumo dizer que estamos sós nos nossos três mais importantes momentos da vida: nascimento, orgasmo e morte. Sei que, quanto ao orgasmo, poderá ser um pouco discutível, principalmente quando se fala de sexo associado ao amor; mas aqueles décimos de segundo ou segundos, em que sentimos toda aquela energy draining out, não se consegue pensar em nada a não ser estarmos entregues a nós próprios, completely loose...

O que devemos partilhar, por nossa iniciativa ? tudo o que nos vai acontecendo no dia-a-dia? o cruzar de olhares que possamos ter tido com um/uma desconhecido/a sem nada ter significado e que, fazendo-o, sabemos poder ferir susceptibilidades? um prazer que alguém nos provocou, momentâneo, mas que não substitui nem se aproxima, de forma alguma, da pessoa que gostamos ? uma pequena ou grande traição ? um jogo de flirt com alguém com quem aconteceu conhecermos? um/a amigo/a de trabalho ou não... mesmo uma sessão de sexo com alguém que não teve qualquer importância para além do sexo itself? Quantos divórcios/separações temos assistido por razões "menores" e a que chamam infidelidades? Será que um grande amor merece ser perdido por tal razão ?

Por tudo isto, continuo a não saber...a que temos direito de manter apenas como apenas nosso... onde começa e acaba a privacidade de cada um de nós...

18 comentários:

Anani disse...

Concordo que não, que não devemos perder o amor por causa das "infidelidadezinhas". Já escrevi algo que toca, em alguns aspectos, este post, como te lembras.
Beijinhos

Momentos Inolvidáveis disse...

Olá... encontrei o blog... e claro vim espreitar... olha adoro Ana Belen... tens bom gosto musical... vou ficar mais um cadito a ler os teus posts e a ouvir as lindas músicas...

kiss

... já agora... bom fim de semana...

Som Do Silêncio disse...

Para existir harmonia numa relação tem de existir confiança acima de tudo.

Obrigado pela visita ao meu cantinho,
Espero retornar aqui mais vezes.

Beijitos

Alexandre disse...

Estou a cruzar-me aqui nos teus comentários com pessoas fantásticas que eu não imaginava virem aqui...

Muito bem, achei o teu post tão, mas tão interessante que o imprimi para ler nas calmas e fazer um comentário a condizer...

Até já!!!

Um abraço!!!

Miguel disse...

Sempre achei que as pessoas são nossas enquanto elas o querem, o permitem, como nós somos delas.

Custa por vezes calar a curiosidade, mas tal tem sempre de ser, a meu ver. Mais que não seja, é talvez a única forma da outra pessoa ter sempre algo novo para nos revelar de si quando quer.

Todos nós temos os nossos recantos que gostamos de manter nossos, que queremos ver respeitados e temos, ao mesmo tempo, de saber fazer isso para com o outro.

"O que devemos partilhar por nossa iniciativa?" Tudo o acharmos merecedor dessa partilha nesse momento. Se ferimos ao fazê-lo, talvez, mas é apenas o quarto momento em que estamos sós na vida, aquele em que partilhamos porque sentimos que o temos de fazer sem olhar às consequências. Afinal, é aí, como no orgasmo, que mostramos o mais profundo de nós.

Um espaço até agora desconhecido, mas que vou voltar a visitar.

Arbaços

Momentos Inolvidáveis disse...

Olá...

Obrigada pela visita e pelos comentários... fica sabendo que adoro vir aqui ouvir as tuas lindas músicas e não conhecia Buddha Bar... adorei... é mesmo um mimo...

O ser humano é tão complexo... tão perfeito... tão imperfeito... mas graças a deus que temos o livre arbítrio... e que podemos ter os nossos pensamentos só para nós... é óbvio que alguns pensamentos, fantasias, confidências devem ficar só mm connosco... é isso que nós torna únicos... especiais... é isso que nos distingue...

um bom resto de Domingo......

kiss

Alexandre disse...

Então, eis o texto que eu tinha reservado para o teu post:

Esta questão da privacidade tem sobretudo a ver com as pessoas envolvidas. Porque será que a algumas pessoas contamos tudo - por vezes até demais! - e a outras escondemos tudo?

Com o tempo aprendi que privacidade e cumplicidade andam de mãos dadas. Quando nos sentimos muito bem com alguém - que pode nem ser a mulher, a namorada nem amiga - estamos mais próximos de abrir naturalmente a nossa mente e a nossa alma; quando estamos na presença de alguém que nos inibe, que nos «oprime», que nos «controla», que nos «sufoca» temos mais tendência para esconder ou não abrir o jogo...

Por isso é que é facílimo falar abertamente de questões sexuais com amigas do que com a esposa, por exemplo. É mais fácil falar de e fazer perversidades com uma amiga colorida que com a mulher mãe dos nossos filhos. Isto não é regra, claro, mas geralmente é assim!

Hoje em dia muita da nossa privacidade passa pelos nossos e-mails, sms, MSN. Não tolero que alguém possa devassar os meus e-mails com o intuito de me controlar e censurar. Precisamos do nosso espaço e mesmo quando não há nada a esconder, sabe bem fazer um bocadinho de mistério... afinal acho que todos nós gostaríamos de ser um pouco clandestinos às vezes - adoro estas questões, hei-de dar continuação a este tema um dia destes no meu blog!

Um abraço!!!

Momentos Inolvidáveis disse...

Shelyak...

Olá encontrei este link com esta linda música da Ana belen... aqui te deixo o link... é linda... linda...

http://multimedia.terra.es/viewer/portada.cfm?cod_media=41772&mapnivel1=MUS

Tenho um lindo cd com músicas dela e uma das minhas preferidas é "Luna de Plata"

Artista: Ana Belén
Album: Mírame
Canción: Luna de plata

Luna de plata
cara redonda
tarta de nata
nada te asombra
piel de hojalata
ojos de sombra
nadie te mata
nadie te ronda
luna de plata.

Luna de hielo
frío en los huesos
luz en el pelo
pena en los sesos
sola en tu vuelo
sueñas un beso
de caramelo
dulce y espeso
luna de hielo.

Luna tan blanca
hecha de espuma
como los sueños
como mi empeño
en ser tan blanca
como la luna.

Luna desnuda
nadie te toca
nadie te ayuda
carne de roca
sólo la duda
besa tu boca
te deja muda
y un poco loca
luna desnuda.

Luna lejana
quiero ir contigo
para mañana
tener tu abrigo
probar tu cama
comer tu trigo
tejer tu lana
ser tu testigo
luna lejana.

Luna tan blanca
hecha de espuma
como los sueños
como mi empeño
en ser tan blanca
como la luna.

É incrível como a música faz parte de nós...

kiss

Bonboca disse...

Olá! Obrigada pela visita ao meu blog..vou explorar o teu. Bjs

Gi disse...

Vim agradecer e retribuir a visita. Já reparei que na tua selecção musical constam muitos dos meus preferidos obrigada pela dica que lá deixaste. Vou explorar :).

Gostaria de ter mais tempo livre para explorar o tema que aqui deixas que considero interessante. Sobretudo porque leva a dizer-se não oq ue se pensa mas o que achamos que é socialmente correcto. Afinal a Privacidade por este mundo virtual não é tão privada assim e todos nós gostamos de resguardar aquilo que para mim é o mais importante. A intimidade.

Resto de um bom dia, deixo um beijinho

Eärwen Tulcakelumë disse...

Num vôo meu achei teu espaço e aqui fiquei para ouvir tua sensibilidade musical e ler-te é claro.
Tristemente o ser humano ainda se encontra preso a determinadas regras,costumes. Acha que pode ser dono, possuidor... ledo engano. Nada temos de nosso neste vida somente nossa alma(espírito) é nossa de fato, o resto de tudo que "temos" nessa vida são concessões que o Criador nos faz para que possamos evoluir e caminhar por nossos próprios pés.
Você diz que aprendeu com o tempo a respeitar, tolerar e a aceitar...e a compreender acho que faltou essa “mágica” palavra. Tenho eu por meta tentar sempre compreender as atitudes que são em cada um de nós completamente diferente, mas é um exercício e tanto se colocar no lugar do outro.
Devemos sim ter nossa privacidade e da minha eu não abro mão mesmo. Partilharmos as coisas é uma arte mesmo. Mas a base de toda e qualquer relação realmente é a sinceridade, cumplicidade e amizade, é daí que germina esse sentimento que será ainda um dia pleno para nós “amor” , o sexo vem ser um complemento disso tudo, bom por certo, mas complemento. Havendo tudo isso não haverá mais lugar para traição, falsos pudores... me pergunto por quê não conversar com a mulher que se escolhe por companheira qualquer tipo de assunto? Por quê a sociedade convencionou assim? Acho que por isso algumas relações desandam... estarei errada?...
Um dia chegaremos a ser melhores do que somos se aproveitarmos os ensinamentos que recebemos diariamente.
Deixo-te a primeira pérola incandescente de luz, banhada no rio de lava que em meu mundo corre, com um convite para que venha ao meu mundo.

Eärwen
16.05.07

Justine disse...

Tenho uma maneira muito propria de viver a Vida...acho que ninguém é de ninguém. Fidelidade diz-me pouco, lealdade diz me muito. Confiança e Respeito pelo espaço de cada um. Bom post

luafeiticeira disse...

Pois, à coisas que só quando se sentem na pele... sinceramente não sei o que responder.
Diz-me uma coisa: não tinhas um blog que era um conto único? É que não o encontro e gostaria de ler o final.
7 beijos

Shelyak disse...

Tanta coisa mais que se poderia dizer sim... tanto este tema como os outros a ele associados são um motivo constante de reflexão e que mantêm vivas as sempre boas mas tão difíceis relações entre as pessoas...
A todos que me visitaram e deixaram seus comentários pela primeira vez... um obrigado acompanhado de sorriso...

MalucaResponsavel disse...

Aproveito para agradecer as palavras... :) sim, entendo. onde começa? onde acaba? dizes bem, qremo-lo nosso, mesmo q inconscientemente, td o q diga respeito ao outro... kiss

camas e algemas disse...

Gostei muito da parte final do texto. Acho que temos vários pontos de vista em comum...
Parabéns pelo texto
Beijinhos

carpe vitam! disse...

Eu partilho tudo o que é importante para mim. os meus desejos, as minhas mágoas, as minhas inquietações, os meus prazeres. Dou espaço para que também possam partilhar comigo o mesmo. Voluntariamente.

ZENN BELL disse...

Aqui o tema é apaixonante e complexo!
1- Pessoas não são propriedades.
2- Há que saber distinguir"fidelidade" de lealdade.
3- Amar é entrega voluntária, graciosa e gratuita. Cobrou é mercadoria, Amor não é objeto que se troque por isso ou aquilo, ninguél é obrigado a corresponder! Se acontece simultaneamente, ótimo!
4-Vejo muito é "eu me amo, através de vc, eu uso vc pra me fazer feliz"...isso tudo embutido na frase "eu te amo!"... Mas nu fundo é busca de gratifição, muletas afetivas, etc...
5- Acredito que um amor gostoso de se viver é uma coincidência mágica!
6- Amor pede aconchego e intimidade de corpo e alma, por isso procura-se uma comunicação profunda com o ser anado, comum-nicar, tornar comum, comungar, compartilhar.
7- Privacidade é respeito, estando confortável, a vontade é mesmo de abrir a alma, o verbo, o coração, etc... Mesmo que seja em silêncio! Quão profundamente comunicativo pode ser um olhar e intraduzível em palavras?!
8- Enfim, descondicionar e desaprender toneladas de regras repletas de hipocrisias que transformam relacionamento amoroso em mercantilismo adequado ao sistema, ao estado, à igreja, etc... Esse tema acompanhado de uma boa taçade vinho vai bem! Um brinde! À felicidade! Bj!